Estou sem escrever há umas semanas. Não sei o que aconteceu àquela droga que me impelia a escrevinhar cada simples linha de pensamento. Talvez seja o retorno do passo médio-rápido, talvez seja só fase. Ou permanente. Seja o que for. Não tenho escrito e faz-me falta. Falta-me o aguçar da mente em torno de uma coisinha mínima sem significado nenhum, de me deixar enlear numa trama só minha, numa teia que construo a cada palavra escrita. Faz-me falta a ficção quase real que vive aqui dentro da cabeça. As personagens meteram baixa, os cenários foram marcados para demolição, os guiões levou-os a Inquisição. Os guiões e não só, levaram tudo, as câmeras, as luzes e a acção foram também, mas essas seguiram de boa vontade, as putas. Saltaram da nau assim que lhe viram hipótese. Elas e toda a gente, esperemos que atinjam salvação. Agora só uma alminha se agarra ao lemo para tentar levar a nau a bom porto. O capitão deste barquito sem remos, a minha representação. Com o Sol a bater-lhe nos olhos, o vento a dar-lhe na cara, com o chapéu a voar para trás e ele a correr pelo convés feito estúpido atrás dele, um objecto insignificante. Mas não, é um chapéu de capitão... Manias... É um chapéu de três bicos que se não tivesse três bicos era dele na mesma. Olhem, lá o apanhou. Apressou-se a pô-lo a na descomunal cabeça... Alguma coisa não está bem, parece demasiado apertado... Oh... Está ao contrário. Patético marinheiro de água doce. Mas bom, deixê-mo-lo voltar ao leme... Nem lá ele está bem mas ali pelo menos sempre parece mais decente. Deixemos a nau, o mar, os cenários e a Inquisição... Deixemo-los descansar, deixemo-los afundar ou queimar à vontade deles... E da minha.
Agradecido por lerem. ;)
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Está estranhinho... mas soube-me pela Vida.