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Sem título 9

Dizes que não dizes o que disseste. Negas o que fizeste. Evitas andar assim, aos caídos por aí. Segues por um caminho oculto que nem tu conheces. Sombra de um destino impossível. Caminhas por entre os Homens como quem caminha num prado por entre as ervas altas da hipocrisia. Segues um percurso não traçado à espera de o encontrar, esperas um segundo de um futuro por traçar. Olhas para o Mundo e vês o que não existe. Iludes-nos por um segundo e deixamos de respirar. Suspensos num segundo de hesitação. O olhar não é teu, a aparência não te pertence. És um fantasma de alguém que ainda não morreu, és o destino de alguém que não o vai cumprir. Vais desistir, vai querer morrer, vais querer cair no infinito e deixar de ser.

E eu aqui, expectante por algo mais. Preso numa ilusão minha, solto das amarras do mundo físico. Vivendo um momento que não é meu. Desfiando a minha essência em pequenos fios dourados que não são meus nem são de ninguém. E quanto mais espero, mais desapareço, mais me desfaço no ar no ar quente da noite. Os lençóis encharcados em suor já não me suportam, tocam-me com desdém e não me deixam dormir. Ou são eles ou é a tua sombra a arranhar a parede com esses dedos finos de gelo.

E a cabeceira agoura a noite... O passado só pensa em voltar, o presente não quer passar e o futuro teima em não vir...

Sem título 8

Os dias assomavam-se-lhe. Era um corpo velho, com uma alma mais velha ainda. Séculos passaram por ela sem que os anos a maculassem. Era imortal, ou assim pensava. Não sabia o porquê de ser assim. Antes pensava que Talvez fosse o destino, mas a idade tinha-lhe contado que Destino é uma coisa que não existe. E depois pensou que talvez tivesse sido o tal "Deus" mas sabia bem de mais que "Deus" era coisa que não existia.
Não se lembrava de ter surgido, só se lembrava de existir. Nem pai nem Mãe. Sempre segui o mesmo caminho, ciclicamente. Todos os anos a mesma coisa, o mesmo destino... Mas ao menos tinha o Sol. O Sol... Ao principio pensava que era o tal "Deus". Mas então descobriu que ele não passava de uma bola de gás flamejante. Mas o seu coração era de Ferro, iria encontrar um propósito para existir.

Anos e anos passaram.

Pela primeira vez sentia-se doente. Poluída, Devastada, Fraca e Violada. Ao menos agora sabia que sentia. Se existia alguma que a magoava mais eram os humanos. Aqueles pequeníssimos seres que viviam sobre si. Senhores dela, pensavam eles. Ignorando que o planeta em que viviam também tinha uma alma... Ela tinha suportado o suficiente...


Extermínio não lhe soava assim tão mal.

O sofrimento ia acabar. A vingança viria... Brevemente.


(Estava-me a faltar criar uma historieta...)

[Z]

Sem Título 7


They called them Demons... Creatures that came in the dark of night and took away your children... Men tried to prevent them from coming but Demons kept coming... Then they tried to kill them... but even more came... The more they killed the more existed... Then one day the Lord of Demons came himself in the night to destroy Earth... The Demos called him Sin... He was bigger and stronger than all the other Demons but there was one thing about him that kept Men from attacking. He was carrying a child in his mighty arms... And then Men understood... It was not a Him but a Her... A Queen and not a King... 'Attack Her' some of Men said, 'What about the child?' asked the others... The Demons were standing still, waiting for an attack. An then the rain came... and lightning... and hail... and snow... they waited for sun, but he never came... For two-hundred days they have waited... And then Sun came... He came in the form of a boy... A boy among Men... And then Moon appeared... The Girl in the arms of the Queen of Demons... They walked until they reached the front of their armies... Moon carried a bow and Sun carried one too... They stretched their arm to their quivers and prepared to shoot at each other and then... well... then I woke up...


(First Post entirely in English!!! WooHoo!!! WTF!?)

[Z]

Sem título 6

E que tal quedarmo-nos um momento e vermos as pessoas a passar? Que tal deixarmo-nos um momento parados a observar? Porque não sentarmo-nos num banco de jardim só porque nos apetece olhar? E se nos deitássemos no chão só para ver as nuvens a vogar? Só porque nos apetece estar e porque não nos apetecer nem ser, nem viver... Só porque queremos contrariar esta torrente que a vida nos impõe e que a maior parte de nós aceita prontamente... Só porque ceder-lhe seria desitir, e de desistentes está a Vida farta... Só porque não nos apetece nem chorar nem rir nem falar nem estarmos calados, porque não nos apetece queixar, nem nos apetece sorrir, porque não queremos morrer de olhos fechados para a Vida... E que tal ficarmos calados só a observar? Só porque sim... Só porque sim...

[Z]

Sem título 5

Era hora de acordar, indicava o despertador. Não lhe apetecia nada deixar aquele reino encantado que é o dos sonhos... Segundas-feiras... Quem é que as suporta? E o despertador que não se calava... Como gostava de ter entre as mãos o pai dos relógios... Emprego... Mais uma fastidiosa manhã a aturar cinzentíssimos colegas de trabalho... Hora de Almoço... Sandes e Refrigerante... Se não cozinhasse todos os dias ao jantar seguramente assemelhar-se-ia a um elefante do mar ou algo de morbidamente parecido... Trabalho e mais trabalho... O seu cubículo mais parecia um descampado de guerra... As folhas, os edifícios que ruíram, os lápis e as canetas, as armas de fogo, o furador e o agrafador, a artilharia pesada, as fotos dos amigos, soldados falecidos... Há quanto tempo não estava com eles... Será que ainda se lembrariam de si? Será que se lembrava deles? Era assustadora a maneira como as memórias se evaporam do nosso recipiente cerebral... Hora de Saída... Hora de Ponta... No assento do passageiro o seu fiel amigo... o trabalho... Horas que passam, minutos que se evaproram, segundos que desvanecem... Seria a sua vida apenas isto? A parte do dia por que ansiava, o Jantar... Mais uma das suas invenções... Trabalho... até sabe-se lá quando... Horas de Dormir...

Era hora de acordar, indicava o despertador. Não lhe apetecia nada deixar aquele leito dourado que é a cama... Terças-feiras... Quem é que as suporta?

[Z]

Sem título 4

Era uma vez uma rapariga que odiava odiar... Então odiava-se a si própria por odiar... Um dia resolveu deixar de se odiar, e reparou que se odiava mais do que pensava. Resolveu então deixar de odiar... Odiava-se por não ser determinada, e então não conseguiu deixar de odiar. E odiava-se ainda mais por isso. Então decidiu resolver a sua Vida. Então um dia viu o que andava a perder... De tanto ódio que tinha e de tamanha raiva que a consumia compreendeu... O objectivo da Vida não é perdê-la, não é odiar... Quantas vezes tinha ela perdido aquilo que queria pela raiva que a consumia? Quantos amigos lhe tinham dito que não o devia fazer? Quantas vezes? Agora sabia-o... Mas já era tarde... Agora a única coisa que via era a água a aproximar-se, e a Vida a afastar-se... Tinha-se atirado de uma ponte e odiava-se por isso...

_Zé_
(Sim, sim, eu sei que não é um grande texto... E Depois?)

Sem título 3

Ouvi o silvar da sua foice. Senti os seus dedos gélidos agarrarem-me o coração, perdi-me na escuridão. Senti-a em todo o meu corpo, o gélido ardor, o quente bafo e o frio hálito da Morte. Caí durante um interminável tempo finito. Vi-me no ínicio e vi-me no final, vi-me nascer, vi-me morrer, vi-me ser feliz e infeliz perecer. Senti tudo o que tinha sentido, senti tudo o que não tinha sentido. Um misto de dor e prazer, de amor e de ódio, de indiferença, e de preocupação também. Tive-me na palma da mão e esmaguei-me como um insecto. Atrasei-me uns anos e adiantei-me outros tantos. Forcei-me a deixar a escuridão e a escuridão deixou de me forçar. Comecei a flutuar, a vogar, a voar. Senti-me livre mas preso a mim mesmo. Iludi-me para me desiludir a seguir, desiludi-me e logo a seguir iludi-me de novo. Senti-me mais forte, para a seguir cair fraco, levantei-me a seguir e caí de novo. Senti os dias, senti as noites, senti as tardes passarem. Abrandei o tempo e ele acelerou. Senti o quente e vi a luz. Bateram-me e chorei. Senti depois o abraço da minha mãe


_Zé_

Sem título 2

Olho para o fundo do meu copo... Vejo o meu futuro envolvido em whisky e gelo... A minha patética e deprimente vida... A minha mulher deixou-me, os meus filhos odeiam-me... Tudo por causa deste maldito vício... Desta falsa alegria, deste bálsamo doloroso...
Os meus filhos... A minha princesa de seis anos e o meu valente de dez... Já não os vejo à tanto tmpo... Desde que saíram de casa com a mãe... Vivíamos todos numa bela moradia única, num subúrbio da capital, junto a uma estrada calma... Agora vivo só, enquanto que eles vivem num prédio anónimo, numa qualquer outra cidade, junto a uma estrada demasiado movimentada...
Quantos dias passarão ainda sem eu os ver? Por quantas etapas da vida passarão eles sem que eu os possa ajudar, sem que eu os possa amparar?

Sinto-me só...


Estou triste...



Talvez seja melhor pedir outro copo...




_Godforsaken_
(mais um devaneio... Curiosamente entrelaçado com o outro)

Sem título 1

Ela estava sentada à janela, estava a ver os carros passar, a inquirir-se se o homem da sua vida estaria num desses carros que passavam... Era fim de tarde... Estava a chegar a hora do jantar e ela estava a ficar com fome, a última vez que comera tinha sido ao almoço. Tinha saído às quatro e viera directamente para casa. Esteve toda a tarde a olhar para o vai e vem do transito questionando-se acerca do seu futuro, sobre a existência da sua outra parte, da sua alma gémea. Subitamente olhou para o prédio em frente e viu-o, tinha mais ou menos a sua idade, embora ela não o soubesse, ele tinha estado a fazer o mesmo que ela, toda a tarde a olhar para o trânsito, e a questionar-se sobre a existência da sua alma gémea, subitamente ele ergueu os olhos e olhou para ela. Naquele momento o mundo pareceu parar enquanto eles se olhavam. Aquela troca de olhares pareceu-lhes demorar um instante eterno. Então ela ouviu-a... Era a sua mãe... Chamava-a para jantar... Despediu-se dele com um ligeiro aceno... Afinal ela era uma menina de 6 anos, ainda não tinha tempo para amores...


(Que raio de devaneio foi este???)

_Godforsaken_
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