Sick Sick Sick

Tenho pensamentos presos entre as rochas da opressão. Tenho pensamentos a voar longe das minhas mãos. Tenho pensamentos e não os consigo destilar nalguma coisa útil e legível.

E para mais, estou doente. Que felicidade...

Max Ricther - On the Nature of Daylight



De volta. :)

Eu.

Eu completei uma chuva!
Sim, fui eu que escrevi a parte final, sim, Zé como em [Zé], tipo eu. E a culpa não é minha. Só faço o que me pedem (sim, sou bem mandado)
Comei e calai, ou vice-versa.

Aqui.

Agora ide e comentai.
"You see, I thrive on the attention of others."

Espólios...

E quando partir o que ficará de mim? Punhados de palavras, amálgamas de Letras? Memórias apagadas de gente feliz, ecos de risos antigos. Farrapos de felicidade, resquícios de uma vida mal vivida...

E quando eu partir o que será deles? Ficarão eles melhor assim? Lembrar-se-ão? Ou tudo não passará de areia ao vento? Tudo um breve momento até que os grãos se percam de vista? E se partirem primeiro que eu? Lembrar-me-ei eu deles? Ficarão pedaços deles em mim? Guardarei eu memórias do que ficou para trás, partilharei eu o meu Futuro com eles? E se o Futuro não existir? E se tudo não passar de uma miragem distante que nunca alcançaremos? E se eu não sobreviver à caminhada? Que será do meu corpo? Comida de insectos ou objecto de ensino? Lixo? E do espírito o que será? Se é que existe espírito... E da memória o que ficará? Retalhos cozidos na cabeça de outras pessoas ou farrapos, ao vento, pelas ruas?

E quando eu partir, o que será do Mundo, este cancro em que existimos? Terá ficado melhor?

E se o agora não passar de nada? E se nada se passar a seguir? O que restará?

O Rio

Sentas-te a contemplar o rio. Admiras a maneira como corre, sempre em frente, sempre com um destino em mente. O destino, não o sabe a água que o compõe, mas o corpo de que é parte sabe-o perfeitamente.
É como tu. As tuas emoções não te levam a lado nenhum, mas o corpo que as carrega sabe para onde as leva. De que te serve a angústia se não sabes como a usar? De que te serve o ódio se não o sabes para onde dirigir? O teu corpo serve-se das emoções, usa-as para esculpir um leito até chegares à Foz. Levantas-te contente, percebes que te sentes assim porque tem de ser, porque o teu corpo tem de traçar um caminho para onde quer que seja, ele apenas escolhe a emoção que mais lhe convém.
Traças o teu caminho normal e dás por ti a pensar... Serás tu como o Rio? Será que sem as tuas águas serias alguma coisa? Um rio sem água não é um Rio. Não passa de um caminho escavado na Terra. Serias tu sem as emoções apenas uma vala por percorrer? Será que é mesmo o teu corpo que se serve das emoções para trilhar o caminho ou será que são as emoções que se servem do teu corpo para viver?

Afinal quem vive? O corpo, ou as emoções?

No teu caso não sei. No meu, sou eu que vivo.

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Não perguntem... até eu estou confuso...
[Z]

Slow - dEUS




"Slow" - dEUS

Slow
Would be the tempo of the restless soul
You have seen what a listless life can bring
Wait, and then you wait until he's waiting for
The latency of everything

Slow
Will be the rhythm of the hummingbird
The quick speed in the shutter of his eye
On flowers you will pose and you will spread the word
on how the world is slowly passing by

Slow
Entireness of your control
Of the moment that is nearly standing still
And wait for a minute and not a second more
Unphased like a forbidden thrill

Gently behind the beat
We shuffle on ancient streets
The reverb of time
Is our vantage point
We slept for a million years
Lived through a million fears
We are not nervous
We will not ask for more

If you can slow up I'm gonna slow up too

Slow
Like the kissing of a lazy cheek
Like the limit and the deadline of the rush
And words, words waiting for you to speak
of getting lost in your eternal crush

Slow
Would be the tempo of the restless mind
You've seen what a listless life can bring
And wait and then he waits until he's waiting for
For the latency of everything

Gently behind the beat
We shuffle on ancient streets
The reverb of time
Is our vantage point
We slept for a million years
Lived through a million fears
We are not nervous
We will not ask for more
Pawns of the troubled times
And kings of our petty crimes
The minds will function
With a small delay
See what the past has planned
The future's a beggar's hand
The more we understand
The slower our days

If you can slow up I'm gonna slow up too
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[Z]

Buraco

Retraças-me o peito, arranhas-me a alma, destróis o meu coração. Espetas os dedos na carne, fazes de mim o que queres mordes-me o rosto, desfiguras-me o corpo. Tudo sem sequer me tocares. Deixas-me pendente deste desejo, atiras-me para um buraco sem fundo. E caio, sinto-me cair, desespero e angustio. As pálpebras recusam-se a abrir para ver o caminho. Não que valesse de muito já que os olhos não querem conhecer.

E caio. E afundo-me na mágoa do mar.

O Caçador (2)

O caçador ponderava no que deveria fazer. Sabia que a única opção que tinha era a decisão que não queria tomar. O captor aproximava-se cada vez mais da presa. Os grãos de areia escoavam na ampulheta do Tempo. Os dois jovens entravam no carro estacionado do outro lado da estrada, completamente alheios ao jogo de forças que se disputava. O gigante celeste corria em direcção ao mesmo carro, o subtil demónio começou a correr também. Não tinha perdido horas da sua semana para nada, não tinha posto em jogo a sua patente por um fracasso. O manto, que só atrapalhava o caçador, foi despido, atirado para o chão e rapidamente se desfez na sombra. O pequeno amuleto das dezoito pontas repousava agora na mão do caçador, segurava-o com tanta força que pequenos fios de sangue se soltavam do sítio onde a estrela tinha tocado a pele.
O captor apercebia-se agora da concorrência que se aproximava e retirou ele o seu próprio amuleto: um símbolo das mãos de Deus feito em ouro e cravada de rubis. As mãos do gigante celeste apertavam o amuleto com tanta força quanto as mãos do pequeno caçador se agarravam ao seu amuleto.
O alvo apercebeu-se de uma discrepância no ambiente e começou a observar o seu redor. Havia algo nos dois homens que se dirigiam a si que ele não estava a gostar. Pôs a chave na ignição e tentou por o carro a trabalhar.
O caçador e o captor trocaram um olhar. Ambos sabiam que um deles iria desaparecer hoje. O caçador pensava na chatice que era ressuscitar. O captor pensava no aborrecimento que era reencarnar. Mas um deles tinha mesmo que desaparecer hoje, não podiam ficar os dois com a mesma presa. O caçador, entre passos largos e trocas de olhares com o captor, alcançava um pequeno frasco no bolso de trás das calças. O captor interpretou isto como um gesto de ameaça e iniciou o ritual de deslocação. Os objectos deixavam de se mover, a luz e a sombra desfaziam-se em farrapos e soltavam-se do Mundo.
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(Mãos de Deus)

O Caçador

O caçador perscrutava a escuridão. O corpo magro envolto em mantos negros e roupas quentes, os cabelos negros soltos sobre a face pálida. A mão esquerda, a um palmo do nariz, retorcia-se ao comunicar com o ar da noite, a mão direita apertava o amuleto da estrela das dezoito pontas. Os olhos lívidos do caçador rolavam a tentarem perceber o que o rodeava. As sombras contorciam-se sob o ar, os sons dissipavam-se no silêncio. O sangue demoníaco que lhe corria pelas veias permitia-lhe compreender o significado do Jogo de de Sons e Sombras que se apresentava diante de si. Mas para já só tinha que esperar. O caçador aguardava inerte que a escuridão lhe revelasse as Presas.
O tempo passava lentamente para qualquer Caçador, mas para este o tempo parecia particularmente lento a passar. Havia algo no seu Alvo que se distinguia de outras presas anteriores. Um toque de... Poder. E para mais, desta vez os Captores pareciam também interessados no seu Alvo.
Um breve arranhar de dobradiça de uma porta indicou a direcção, duas casas abaixo, três casas à esquerda. O caçador abandonou o transe, saltou do seu poleiro, envolveu-se no seu manto e seguiu o Jogo de Sons.

Ao chegar ao local, o caçador deparou-se com o que queria ver. Dois adolescentes humanos pareciam sair de casa algo preocupados. O mais alto, de cabelo castanho era-lhe inútil, era um humano normal, sem nada de extraordinário. Já o mais baixo, de cabelos negros encaracolados e de olhos verdes não o enganava. Era o seu Alvo
O Caçador remexia no bolso à procura de um pequeno frasco cheio de luz mas parou. Do lado oposto da rua, um homem agigantava-se ao fim da rua
"Merda" pensou o Caçador, "um Captor."
O ser de sangue celeste aproximava-se cada vez mais depressa da sua presa. O raciocínio do Caçador procurava uma solução o mais depressa possível. E só havia uma.
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