Ouvi o silvar da sua foice. Senti os seus dedos gélidos agarrarem-me o coração, perdi-me na escuridão. Senti-a em todo o meu corpo, o gélido ardor, o quente bafo e o frio hálito da Morte. Caí durante um interminável tempo finito. Vi-me no ínicio e vi-me no final, vi-me nascer, vi-me morrer, vi-me ser feliz e infeliz perecer. Senti tudo o que tinha sentido, senti tudo o que não tinha sentido. Um misto de dor e prazer, de amor e de ódio, de indiferença, e de preocupação também. Tive-me na palma da mão e esmaguei-me como um insecto. Atrasei-me uns anos e adiantei-me outros tantos. Forcei-me a deixar a escuridão e a escuridão deixou de me forçar. Comecei a flutuar, a vogar, a voar. Senti-me livre mas preso a mim mesmo. Iludi-me para me desiludir a seguir, desiludi-me e logo a seguir iludi-me de novo. Senti-me mais forte, para a seguir cair fraco, levantei-me a seguir e caí de novo. Senti os dias, senti as noites, senti as tardes passarem. Abrandei o tempo e ele acelerou. Senti o quente e vi a luz. Bateram-me e chorei. Senti depois o abraço da minha mãe
_Zé_
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

4 Sentenças Alheias:
Este é sem dúvida alguma o melhor texto que já escreveste!!!!!! Juro!! Duvido que consigas superar este texto!
20/20 *****
'Caí durante um interminável tempo finito.' Muito bom! =p
Ohhhhhhhhhh tão querida... estás a insuinuar que eu não supero os meus limites? Parece-me que sim... Vamos lá ver...
We've got a situation developing. Somebody get down here now
_Zé_
Eu gosto de fazer comentários grandes, tu sabes que sim...mas este 'devaneio' apagou o meu dicionário por completo.
É intenso,e tocou-me...muito.
Palmas escritor*
Declaro-me analfabeta!
=s
*
Enviar um comentário