O caçador perscrutava a escuridão. O corpo magro envolto em mantos negros e roupas quentes, os cabelos negros soltos sobre a face pálida. A mão esquerda, a um palmo do nariz, retorcia-se ao comunicar com o ar da noite, a mão direita apertava o amuleto da estrela das dezoito pontas. Os olhos lívidos do caçador rolavam a tentarem perceber o que o rodeava. As sombras contorciam-se sob o ar, os sons dissipavam-se no silêncio. O sangue demoníaco que lhe corria pelas veias permitia-lhe compreender o significado do Jogo de de Sons e Sombras que se apresentava diante de si. Mas para já só tinha que esperar. O caçador aguardava inerte que a escuridão lhe revelasse as Presas.
O tempo passava lentamente para qualquer Caçador, mas para este o tempo parecia particularmente lento a passar. Havia algo no seu Alvo que se distinguia de outras presas anteriores. Um toque de... Poder. E para mais, desta vez os Captores pareciam também interessados no seu Alvo.
Um breve arranhar de dobradiça de uma porta indicou a direcção, duas casas abaixo, três casas à esquerda. O caçador abandonou o transe, saltou do seu poleiro, envolveu-se no seu manto e seguiu o Jogo de Sons.
Ao chegar ao local, o caçador deparou-se com o que queria ver. Dois adolescentes humanos pareciam sair de casa algo preocupados. O mais alto, de cabelo castanho era-lhe inútil, era um humano normal, sem nada de extraordinário. Já o mais baixo, de cabelos negros encaracolados e de olhos verdes não o enganava. Era o seu Alvo
O Caçador remexia no bolso à procura de um pequeno frasco cheio de luz mas parou. Do lado oposto da rua, um homem agigantava-se ao fim da rua
"Merda" pensou o Caçador, "um Captor."
O ser de sangue celeste aproximava-se cada vez mais depressa da sua presa. O raciocínio do Caçador procurava uma solução o mais depressa possível. E só havia uma.