A pequena marioneta estava sentada no fundo do armário. Inerte, sem vida, desprovida de sentido. O seu corpo de madeira antes envernizado todos os anos, não era agora mais do que um hotel de caruncho, um ninho de ácaros. Os fios que antes a moviam já lá não estavam, as mãos que a faziam viver já não viviam.
A marioneta vivia com um sorriso estampado na cara, um sorriso pintado já à muito tempo, mesmo antes de se poder mexer. O sorriso de quem o pintou, já não existia. E o sorriso da marioneta era falso, tão falso que parecia descascar-se de dia para dia.
Os grandes e abertos olhos da marioneta só viam as portas do armário. Ninguém diria que já tinham visto mais de meio mundo, ninguém diria que já tinha vivido mais do que meio mundo. Os olhos daqueles que tinham visto o mundo com ela já não viam mais.
Tinha passado de mão em mãos para ser apreciada, tinha passado de pai para filho para ser controlada. E um dia deixou de o ser.
Um petiz não a quis.
Eu tocava-te se pudesse. Deixaria os meus dedos passearem-se pela tua pele nua, provaria o sabor do teu corpo, envolver-me-ia no teu odor. Se ao menos não fosse tão proibido. Unir-nos-íamos, criaríamos, seriamos um. As minhas mãos no teu corpo, as tuas mãos nas minhas.
Mas não podemos. Se ao menos te pudesse tocar saberia que poderia voltar a ser uno uma vez mais. Os teus lábios vermelhos convidam um beijo, o teu corpo implora invasão. Os meus lábios querem, o meu corpo deseja.
Luxúria ou Amor?
Os nossos corpos estão separados, as mentes não.
----------
ou, em inglês, como escrevi originalmente:
----------
I'd touch you if I could. I'd let my fingers wander through your bare skin, I'd taste your body, I'd get your scent. If only it wasn't so forbidden. We would unite, we would create, we would be one. My hands in your body, your hands in mine.
But we can't. If only I could touch you, I'd know I could be whole once more. Your red lips invite a kiss, your body beseeches invasion. My lips crave, my body desires.
Lust or Love?
Our bodies are apart, our minds are not.
Mas não podemos. Se ao menos te pudesse tocar saberia que poderia voltar a ser uno uma vez mais. Os teus lábios vermelhos convidam um beijo, o teu corpo implora invasão. Os meus lábios querem, o meu corpo deseja.
Luxúria ou Amor?
Os nossos corpos estão separados, as mentes não.
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ou, em inglês, como escrevi originalmente:
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I'd touch you if I could. I'd let my fingers wander through your bare skin, I'd taste your body, I'd get your scent. If only it wasn't so forbidden. We would unite, we would create, we would be one. My hands in your body, your hands in mine.
But we can't. If only I could touch you, I'd know I could be whole once more. Your red lips invite a kiss, your body beseeches invasion. My lips crave, my body desires.
Lust or Love?
Our bodies are apart, our minds are not.
Era uma vez um cuco
Lembro de cantar isto no autocaro das férias na praia (quando era mais petiz). E de a cantar no autocarro, já mais grandinho, com umas colegas, algumas delas também elas blogueiras, e de o senhor do autocarro começar a por o volume do rádio mais alto... (Não digo o nome das pessoas para não ferir susceptibilidades)
Eu gosto de Sopa
Digam lá que isto não tem ganda batida! Isto sim, é O ROCK, qual xutos qual quê!?
Ginasticar
Eu adorava esta música... :(
Sinto-me tão idoso, agora...
Lembro de cantar isto no autocaro das férias na praia (quando era mais petiz). E de a cantar no autocarro, já mais grandinho, com umas colegas, algumas delas também elas blogueiras, e de o senhor do autocarro começar a por o volume do rádio mais alto... (Não digo o nome das pessoas para não ferir susceptibilidades)
Eu gosto de Sopa
Digam lá que isto não tem ganda batida! Isto sim, é O ROCK, qual xutos qual quê!?
Ginasticar
Eu adorava esta música... :(
Sinto-me tão idoso, agora...
Madrugada. O Sol não quer nascer, o corpo não quer dormir, a mente não descansa. Revolvem-se os lençóis, viram-se as almofadas. Perdem-se segundos inúteis a ajeitar a cabeça. "Hoje já não dormes mais", pensas em vão. Resolves levantar-te. Calças os chinelos e segues até à casa de banho. Chegas à sanita, fazes o que tens a fazer e voltas-te para lavar as mãos. Ainda meio ensonado abres a torneira da água fria. O fresco da água a bater nas mão ainda quentes da cama é uma das coisas que mais detestas. Fazes uma concha com as mãos e levas a água à cara. Sentes a barba a despontar, sentes os dias a passar. Olhas em frente, os teus piores inimigos estão lá: o espelho e o teu reflexo. Notas as pequenas rugas a assomar-se no canto dos olhos, vês as entradas no cabelo a crescer. Olhas-te nos olhos. Não vês ninguém. Nem tu, nem ela, nem eles. Não sentes os olhos brilhar, não sentes o mundo girar. "O que foi que te aconteceu?" Perdeste-te nas malhas da vida. Viste o teu destino esmorecer, viste o teu fulgor perecer. A rotina instalou-se.
Desvias o olhar, não suportas a maneira como te olhas de volta. O barulho dos chinelos nos tapetes do corredor irrita-te. A madrugada irrita-te. Vendo bem, tudo te irrita. A vida irrita-te. Passas pela cozinha. Abres a porta do frigorífico. O frio é mais que bem vindo nesta noite quente. A pequenita luz do frigorífico tenta timidamente iluminar a divisão. Abres o congelador e tiras uma embalagem qualquer. Gelado. Olhas para o rótulo: "Menta". Devolve-lo ao seu lugar e tentas outra vez: "Sorvete de Limão". Bingo. Sentas-te no balcão de mármore e alcanças uma colher de sobremesa no escorredor da louça. Deixas a porta do frigorífico aberta. Abres a embalagem e delicias-te. Olhas para o que te rodeia a uma nova luz, a pequena luzita. O frigorífico quase parece um portal para uma nova dimensão, como naqueles livros que lias quando eras puto. "Podias pintar este momento" Pintar? À quanto tempo é que não pegas num pincel mesmo? Último ano da faculdade, talvez... Olhas para o sorvete. Comeste quase tudo sem dar por isso. Ris-te. Um riso e sincero que brota de ti. Saltas da bancada como um puto, arrumas o sorvete no congelador e despedes-te da pequena luz. "Se calhar é melhor voltar para a cama."
Chegas ao quarto e vês dois volmes debaixo dos lençóis. "Estranho..." Abeiras-te da cama e puxas as cobertas do teu lado. Dás contigo, de olhos abertos, lívidos. Estás morto.
Acordas de repente e levantas-te. "Foi só um sonho... foi só um sonho..." Segues para a casa de banho o mais depressa possível. Ali está o espelho e o teu reflexo nele. O cabelo despenteado, o brilho nos olhos, a barba a despontar, o rosto de um adolescente, está lá tudo... "Foi só um sonho" pensas uma última vez...
"Será que há sorvete de limão no frigorífico?"
Desvias o olhar, não suportas a maneira como te olhas de volta. O barulho dos chinelos nos tapetes do corredor irrita-te. A madrugada irrita-te. Vendo bem, tudo te irrita. A vida irrita-te. Passas pela cozinha. Abres a porta do frigorífico. O frio é mais que bem vindo nesta noite quente. A pequenita luz do frigorífico tenta timidamente iluminar a divisão. Abres o congelador e tiras uma embalagem qualquer. Gelado. Olhas para o rótulo: "Menta". Devolve-lo ao seu lugar e tentas outra vez: "Sorvete de Limão". Bingo. Sentas-te no balcão de mármore e alcanças uma colher de sobremesa no escorredor da louça. Deixas a porta do frigorífico aberta. Abres a embalagem e delicias-te. Olhas para o que te rodeia a uma nova luz, a pequena luzita. O frigorífico quase parece um portal para uma nova dimensão, como naqueles livros que lias quando eras puto. "Podias pintar este momento" Pintar? À quanto tempo é que não pegas num pincel mesmo? Último ano da faculdade, talvez... Olhas para o sorvete. Comeste quase tudo sem dar por isso. Ris-te. Um riso e sincero que brota de ti. Saltas da bancada como um puto, arrumas o sorvete no congelador e despedes-te da pequena luz. "Se calhar é melhor voltar para a cama."
Chegas ao quarto e vês dois volmes debaixo dos lençóis. "Estranho..." Abeiras-te da cama e puxas as cobertas do teu lado. Dás contigo, de olhos abertos, lívidos. Estás morto.
Acordas de repente e levantas-te. "Foi só um sonho... foi só um sonho..." Segues para a casa de banho o mais depressa possível. Ali está o espelho e o teu reflexo nele. O cabelo despenteado, o brilho nos olhos, a barba a despontar, o rosto de um adolescente, está lá tudo... "Foi só um sonho" pensas uma última vez...
"Será que há sorvete de limão no frigorífico?"
Um apartamento vazio. Prateleiras e armários vazios a cheirar a novo. Um ser patético sozinho a tentar recomeçar. A mobília viria mais tarde. Deixou as malas no que seria um quarto, e dirigiu-se à mesa que já lá morava. Pegou no bloquinho de notas que sempre trazia no bolso da camisa e começou a escrever. Pequenas letras bem desenhadas saltavam da ponta do lápis.
Cinco latas de atum.
Um pacote de esparguete
Uma dúzia de pêssegos meio comidos
Uma dúzia de pêssegos meio por comer
Um pacote de memórias à beira mar
Um conjunto de momentos felizes
Um doce com sabor a Inverno à lareira
Ambientador com cheiro a ti
Um novo eu
Um novo tu
Um novo lugar
Outro tempo
Uma lista de compras, uma lista de desejos impossíveis. Uma lista de coisas. Um pedaço de nada.
(a 1 dos 300)
Cinco latas de atum.
Um pacote de esparguete
Uma dúzia de pêssegos meio comidos
Uma dúzia de pêssegos meio por comer
Um pacote de memórias à beira mar
Um conjunto de momentos felizes
Um doce com sabor a Inverno à lareira
Ambientador com cheiro a ti
Um novo eu
Um novo tu
Um novo lugar
Outro tempo
Uma lista de compras, uma lista de desejos impossíveis. Uma lista de coisas. Um pedaço de nada.
(a 1 dos 300)
Hoje fui à praia. (Vejo caras de choque e de admiração no meio de vós)
Passo a explicar: tratam-se de "obrigações familiares". Sabem, aquelas coisas que são contra a nossa a natureza mas que temos de fazer para... ok ok, o motivo pelo o qual temos de o fazer ficou perdido pelo meio das brumas da história. Mas (infelizmente) isso não ivalida o fact de TERMOS de o fazer.
Como devem (ou deviam) saber, eu detesto o conceito de "ir fazer praia" e relacionados. O que não invalida que goste de "praia". Eu gosto de praia, é um local apropriado para se estar a "torrar" (ou a fazer criação de melanomas) ao Sol durante horas e horas a fio, de tomar banhos de Mar de fazer eriçar o pelo, de expor corpos entre o belo e o grotesco.
Só que isso não faz propriamente parte das minhas prioridades actuais. Há coisas bem mais produtivas para fazr no Verão do que o que foi mencionado acima. Como... *deixem passar uns minutos...* expandir o nosso horizonte cultural.
pois.
Passo a explicar: tratam-se de "obrigações familiares". Sabem, aquelas coisas que são contra a nossa a natureza mas que temos de fazer para... ok ok, o motivo pelo o qual temos de o fazer ficou perdido pelo meio das brumas da história. Mas (infelizmente) isso não ivalida o fact de TERMOS de o fazer.
Como devem (ou deviam) saber, eu detesto o conceito de "ir fazer praia" e relacionados. O que não invalida que goste de "praia". Eu gosto de praia, é um local apropriado para se estar a "torrar" (ou a fazer criação de melanomas) ao Sol durante horas e horas a fio, de tomar banhos de Mar de fazer eriçar o pelo, de expor corpos entre o belo e o grotesco.
Só que isso não faz propriamente parte das minhas prioridades actuais. Há coisas bem mais produtivas para fazr no Verão do que o que foi mencionado acima. Como... *deixem passar uns minutos...* expandir o nosso horizonte cultural.
pois.
O parco silêncio ocupava as paredes pardacentas. Partira dali à pouco uma prostituta que ninguém parecia conhecer. Parava por lá frequentemente. Todo o prédio sabia quem ela era, mas ninguém mostrava saber. "É uma puta" diriam as más línguas. O principal patriarca do prédio até já tinha escrito uma carta de protesto à associação de protestantes que protestam sobre as prostitutas. Mas faltou-lhe a coragem na perna partida para se mover até ao posto do correio. Pensara pedir a uma empregada do lar de acolhemento, mas não lhe parecia apropriado. Não sabia bem porquê. "Qualquer dia vem dar comigo todo podre a esta casa" pensava o homem senil enquanto se escondia atrás das portadas da varanda.
E então, no dia seguinte, as portas abriram-se de par em par para ver a prostituta passar. Tinha deixado o pequeno fiat punto no parque de estacionamento em frente à pastelaria do prédio. Tudo o que era gente olhava pelo pequeno buraco privado que dava para o pomposo corredor só para ver a prostituta passear as suas longas e poderosas pernas pelos tapetes do corredor. Passo a passo lá avançava pelos andares. Quando chegou ao primeiro frente parou. Olhou por cima do ombro, preparou o corpete e segui marcha.
Na pequena varanda do primeiro frente, o pobre patriarca parecia um pisco excitado, não parava quieto. Agitava-se dum lado para o o outro sem que nem para que. E então, a perna partida durante a partida de ping-pong do bairro, cedeu e o homem caiu.
PAM!
A prostiuta ouviu o estampido quando ia a subir os degraus do primeiro para o segundo andar. Despachou-se a descer, não fosse a polícia aparecer. Parecia um cavalo preparado a preparar-se para saltar. Chegou ao rés do chão e já as pessoas se tinham aglomerado à porta do prédio. Pensava-se que alguém se tinha atirado do primeiro andar.
A prostituta chegou ao pé do seu carro e a primeira coisa que viu foi o pequeno patriarca todo enfiado no pára-brisas do seu fiat punto
"Puta que pariu o velho" pensou a prostituta.
------
#Random. I know.
E então, no dia seguinte, as portas abriram-se de par em par para ver a prostituta passar. Tinha deixado o pequeno fiat punto no parque de estacionamento em frente à pastelaria do prédio. Tudo o que era gente olhava pelo pequeno buraco privado que dava para o pomposo corredor só para ver a prostituta passear as suas longas e poderosas pernas pelos tapetes do corredor. Passo a passo lá avançava pelos andares. Quando chegou ao primeiro frente parou. Olhou por cima do ombro, preparou o corpete e segui marcha.
Na pequena varanda do primeiro frente, o pobre patriarca parecia um pisco excitado, não parava quieto. Agitava-se dum lado para o o outro sem que nem para que. E então, a perna partida durante a partida de ping-pong do bairro, cedeu e o homem caiu.
PAM!
A prostiuta ouviu o estampido quando ia a subir os degraus do primeiro para o segundo andar. Despachou-se a descer, não fosse a polícia aparecer. Parecia um cavalo preparado a preparar-se para saltar. Chegou ao rés do chão e já as pessoas se tinham aglomerado à porta do prédio. Pensava-se que alguém se tinha atirado do primeiro andar.
A prostituta chegou ao pé do seu carro e a primeira coisa que viu foi o pequeno patriarca todo enfiado no pára-brisas do seu fiat punto
"Puta que pariu o velho" pensou a prostituta.
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#Random. I know.
The sounds echoed down his mind. Pure vibrations of sound and spirit made his heart rush into ecstasy. His feet stomped and tapped feeling the rhythm of the music. And he went wild. No worries, no pains, just music. His life was a blur way back there on his mind. But that didn't concern him at the moment. His mind was a barren desert filled with speakers, bathed by disco lights. The sand resonated with the sand making it lift in the air. And the boy was in the middle. He shook his body, banged his head, he was happy. The music took him to higher levels of thought, to new levels of excitement. His body had to wear it off in any way possible. He felt waves around him, bodies climbing the air and dropping to the floor. So he jumped too, he jumped like he never did before.
No life, no worries, no nothing. Just music.
No life, no worries, no nothing. Just music.
Krypteria - The Promise
He said: Just sign your name across the dotted line and take advantage of the goods I have to offer
It won’t cost you much just a single drop of blood and I’ll hand you the things you have long been wishing for
It’s an easy way to choose, what do you have to lose ?
Will I fall ? Opulentiam aeternam gloriamque te promitto
Will I stand tall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
Will I fall ? Venustatem infinitam gloriamque te promitto
Will I stand or fall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
Should I sign and end this lifelong string of broken dreams of failure, shattered hopes, of trials and tribulations ?
It won’t cost a thing all the world will hear me sing and I’d have all the riches, the fame and everything
It’s an easy way to choose, what do I have to lose ?
Will I fall ? Opulentiam aeternam gloriamque te promitto
Will I stand tall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
Will I fall ? Venustatem infinitam gloriamque te promitto
Will I stand or fall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
Should I sign and blindly dance along the piper’s tune or should I rather trust my inner voice to guide me ?
I don’t own a lot but I still got one last shot so do I need to believe in a promise and its seed ?
Am I willing to choose when it’s myself I could lose ?
Will I fall ? Opulentiam aeternam gloriamque te promitto
Will I stand tall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
Will I fall ? Venustatem infinitam gloriamque te promitto
Will I stand or fall ? Quidquid agis prudenter agas et respice finem
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It's an easy way to choose. What do I have to lose?
Back to the darker moods.
[Z~XIII]
Os dias não passam, a caneta não flui, os dedos não martelam com vontade. O sentido foi-se. Escapou-se para o fundo de uma cova negra e funda, fugiu para um sítio onde os olhos não vêem, para um sitio longe daqui, longe do Mundo. E o mundo parece-me agora mais frágil, mais irrevogável. Os ódios e as misérias parecem mais reais, as mortes mais chocantes. Parece-me ouvir o canto das aves abafado pelos tiros de caçadeira, julgo ver as cores deles por entre o fumo dos fogos da discórdia.
Mas no fundo sei que não. Sei que não existe cor, sei que o som à muito foi abafado, sei que as palavras secaram. E que o mundo é um deserto e nada mais.
Mas a mente veloz insiste em pensar: "Se é um desetro o mundo hão de haver oásis, hão de haver outros mundos a conquistar". E o corpo sente-se relutante. Ele já não quer lutar. Só quer uma cova funda, onde a luz não o alcance. Mas a mente não desiste.
E então parto contrariado à procura de oásis de inspiração. E desta vez tudo serve, seja um rio seja uma pequena gota. Seja a música do rádio, o tamborilar da chuva ou o ulular do vento. Seja o que for hei-de a beber. Sofregamente. Sempre
Mas no fundo sei que não. Sei que não existe cor, sei que o som à muito foi abafado, sei que as palavras secaram. E que o mundo é um deserto e nada mais.
Mas a mente veloz insiste em pensar: "Se é um desetro o mundo hão de haver oásis, hão de haver outros mundos a conquistar". E o corpo sente-se relutante. Ele já não quer lutar. Só quer uma cova funda, onde a luz não o alcance. Mas a mente não desiste.
E então parto contrariado à procura de oásis de inspiração. E desta vez tudo serve, seja um rio seja uma pequena gota. Seja a música do rádio, o tamborilar da chuva ou o ulular do vento. Seja o que for hei-de a beber. Sofregamente. Sempre
E pronto, lá me apeteceu mudar isto tudo outra vez. Agora sem texto lá em cima, sem preto no fundo. Mais ou menos decente.
E pus uma imagem lá em cima, é o que dá não ter mais que fazer.
E bom, faltam 7 posts para os 300.
[Z~XIII]
E pus uma imagem lá em cima, é o que dá não ter mais que fazer.
E bom, faltam 7 posts para os 300.
[Z~XIII]
De dia para dia o mundo perdia a cor. Cores vivas e garridas esbatiam em direcção àquele tom cinza-pardacento de quem não vive. Os olhos coloridos das pessoas tornavam-se negros e sem vida, as suas faces coradas perdiam o rubor. Os autómatos moviam-se sem diligência, sem vontade de estar nem de ser. Uma rapariga sentava-se no canto escuro da sua mente. Canto escuro que era mais colorido que o todo o resto do Universo. Nela guardava um segredo, uma inquietação. Sentia-se afundar. Sentia-se sufocar sob a pressão do Mundo. Não se sentia ser ela. E as cores esbatiam-se cada vez mais. O Sol, outrora Astro-Rei, resumia-se agora a uma bola de Cotão negro, preso no papel de parede no tecto do Mundo. As nuvens, recortadas em papel autocolante não tinham mais aquelas formas engraçadas, em vez disso eram ameaçadoras e cinzentas. O vento não empurrava as árvores por preguiça, as árvores não cresciam para o céu. O mundo tornava-se monótono. E as cores não passavam de cinzento. As folhas de papel de lustro soltavam-se dos ramos e deixavam-se cair no meio da populaça. E a rapariga ansiava por algo mais E o Mundo... deixava de ser para passar a estar.
E um dia, num ímpeto descomedido a rapariga levantou-se e gritou. E o Sol, numa explosão de força, rasgou o tecto do Mundo e voltou a si. A cinza soltava-se dos corpos e as cores voltavam. E o Mundo voltava a ser.
E um dia, num ímpeto descomedido a rapariga levantou-se e gritou. E o Sol, numa explosão de força, rasgou o tecto do Mundo e voltou a si. A cinza soltava-se dos corpos e as cores voltavam. E o Mundo voltava a ser.
São palavras do silêncio, aquelas que brotam da tua boca. Uma escolha insípida de fonemas, um arraial de ignorância sonora. São vazias de significado, estripadas de conhecimento. Falas como se conhecesses o Mundo, como se conhecesses o significado da Pessoa, como se soubesse o que é que estamos a fazer aqui. Falas sem conhecimento de causa, sem experiências naquilo que profetizas. Falas de tudo. Não dizes nada.
E as tuas palavras caem no chão como uma chuva maldita, que não mói mas mata. A essa chuva ninguém a quer, não é fértil. É veneno. Veneno destilado a partir de tanta desconsideração. Julgas-te num pedestal feito de vidro, mas o teu trono não é mais que um monte de lama onde ervas daninhas sufocam. Julgas-te senhor de terras e castelos, mas o teu reino não é mais que um monte de casas vazias e de jardins abandonados.
Julgas-te tudo e também falas de tudo. Mas aparentemente, só não sabes de mim.
E as tuas palavras caem no chão como uma chuva maldita, que não mói mas mata. A essa chuva ninguém a quer, não é fértil. É veneno. Veneno destilado a partir de tanta desconsideração. Julgas-te num pedestal feito de vidro, mas o teu trono não é mais que um monte de lama onde ervas daninhas sufocam. Julgas-te senhor de terras e castelos, mas o teu reino não é mais que um monte de casas vazias e de jardins abandonados.
Julgas-te tudo e também falas de tudo. Mas aparentemente, só não sabes de mim.
Esta inspiração que me assola, que não me deixa dormir, que me arde na alma e não me deixa sentir. Não é fogo que arde sem se ver, não é uma destilação cósmica do estado de espírito da matéria, não é uma vivência de experiências alheias. É obsessão, é criação. É vontade de gritar mais alto que os outros, é vontade de ser. É vontade de viver através das palavras, é vontade de criar , de destruir, de nascer, de matar. É um monstro que brota do peito, que se enrola nos membros e que não me deixa enquanto não lhe saciar a fome.
É um alinhamento de estados de consciência que não foram feitos para estar alinhados. É uma melodia de cordas de sentimentos. É uma harmonia de ondas de emoção.
É vida.
É morte.
É o Fogo e o Ar.
É a mente.
É a Terra e a Água.
É o corpo.
É farrapo de Luz.
É tecido de Escuridão.
É tudo.
E no fim, acaba por não ser nada...
É um alinhamento de estados de consciência que não foram feitos para estar alinhados. É uma melodia de cordas de sentimentos. É uma harmonia de ondas de emoção.
É vida.
É morte.
É o Fogo e o Ar.
É a mente.
É a Terra e a Água.
É o corpo.
É farrapo de Luz.
É tecido de Escuridão.
É tudo.
E no fim, acaba por não ser nada...
E o culpado disto tudo és tu. Bamboleias-te pelos corredores vazios como quem manda no destino. Servo do Mundo, Mestre de ti. Arrastas-me contigo para onde eu não quero ir. Levas-me para onde o pensamento é vida, onde a morte é lei. Sempre na tua, sempre a olhar de cima para todos, sempre de cabeça mais erguida que os outros. Queres ser Rei. Queres ser o que o mundo insiste em dizer que nunca poderás ser. Teimas em tentar. E eu sigo as teus movimentos como uma sombra alegre sem vida. Definho. Deixo-me arrastar. E deixo-me mergulhar no sentimento de culpa. Fui eu que te criei, fui eu que te arranquei do fundo de mim, fui eu que te libertei e te soltei no Mundo. Fui eu que, estupidamente, te deixei apossar-se de mim. Gritaste que não querias ser, que não querias sentir que não querias que o mundo te visse. E eu dei-te alento. Forcei-te a levantar, ensinei-te de novo a andar. Esse teu andar de regente que quer ser, de leão treinado, de decepção e de traição. E Deixei-te crescer dentro de mim, deixei-te tomar pedaços do meu ser, deixei-te ocupar o meu lugar. E criei ilusões que um dia nos juntaríamos para ser um só. Um ser uno, um ser perto do perfeito. Mas enganei-me. Mais do que uma pessoa se pode enganar numa vida, e agora, volto para o inconsolável canto na tua mente. E deixo-me ir... Pelos cantos e recantos da morte, pelos caminhos da vida.
E o culpado disto tudo... sou eu.
---
(Estava na cama e não conseguia dormir... Despejei o meu ser. Agora vou voltar a tentar)
E o culpado disto tudo... sou eu.
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(Estava na cama e não conseguia dormir... Despejei o meu ser. Agora vou voltar a tentar)
Dizes que não dizes o que disseste. Negas o que fizeste. Evitas andar assim, aos caídos por aí. Segues por um caminho oculto que nem tu conheces. Sombra de um destino impossível. Caminhas por entre os Homens como quem caminha num prado por entre as ervas altas da hipocrisia. Segues um percurso não traçado à espera de o encontrar, esperas um segundo de um futuro por traçar. Olhas para o Mundo e vês o que não existe. Iludes-nos por um segundo e deixamos de respirar. Suspensos num segundo de hesitação. O olhar não é teu, a aparência não te pertence. És um fantasma de alguém que ainda não morreu, és o destino de alguém que não o vai cumprir. Vais desistir, vai querer morrer, vais querer cair no infinito e deixar de ser.
E eu aqui, expectante por algo mais. Preso numa ilusão minha, solto das amarras do mundo físico. Vivendo um momento que não é meu. Desfiando a minha essência em pequenos fios dourados que não são meus nem são de ninguém. E quanto mais espero, mais desapareço, mais me desfaço no ar no ar quente da noite. Os lençóis encharcados em suor já não me suportam, tocam-me com desdém e não me deixam dormir. Ou são eles ou é a tua sombra a arranhar a parede com esses dedos finos de gelo.
E a cabeceira agoura a noite... O passado só pensa em voltar, o presente não quer passar e o futuro teima em não vir...
E eu aqui, expectante por algo mais. Preso numa ilusão minha, solto das amarras do mundo físico. Vivendo um momento que não é meu. Desfiando a minha essência em pequenos fios dourados que não são meus nem são de ninguém. E quanto mais espero, mais desapareço, mais me desfaço no ar no ar quente da noite. Os lençóis encharcados em suor já não me suportam, tocam-me com desdém e não me deixam dormir. Ou são eles ou é a tua sombra a arranhar a parede com esses dedos finos de gelo.
E a cabeceira agoura a noite... O passado só pensa em voltar, o presente não quer passar e o futuro teima em não vir...
A chuva morna rouba-me a vontade. Às vezes só penso em deixar de pensar, deixar de sentir, deixar de sofrer. Não quero isto, não quero o Mundo. Não quero o Céu não quero o Mar. Não te quero a ti, demónio dissimulado com um sorriso de mel. Não quero olhar para o fundo dos teus olhos e dizer que te amo. Não quero sentir o teu toque que queima. Não quero o horror de ter de te ver. Não quero cantarolar a tua voz pelos corredores vazios. Não quero ecos de vidas que não tivemos. Quero o Sol, quero o calor da solidão. Quero descanso.
Mas...
...às vezes, só te quero a ti. Demónio de olhos grandes. Enroscar-me no teu corpo e beber de ti a Vida. Sentar-me do teu lado e ouvir a melodia do teu respirar. A abundância de momentos, a torrente de emoções. O frio acolhedor da tua presença. O toque flamejante da tua paixão. Às vezes só me quero sentar e olhar por ti. Olhar fundo nos teus olhos e ver lá um pedaço de mim. Perceber a verdade que ninguém quer ver, ignorar o mundo a meu redor, esquecer-me de mim e só te ver a ti.
Venha o Mar venha a Lua venham um número de estrelas sem fim. Venha o tempo e o horror. Venha mais chuva morna para me roubar a vontade.
E tu demónio de olhos doces? Que fazes tu de mim? Roubas me o ar dos pulmões e a terra sob os pés, roubas-me a força e a vontade.
E eu? Eu, eu deixo-me ir nas breves ondas da melancolia para um mar de além.
Mas...
...às vezes, só te quero a ti. Demónio de olhos grandes. Enroscar-me no teu corpo e beber de ti a Vida. Sentar-me do teu lado e ouvir a melodia do teu respirar. A abundância de momentos, a torrente de emoções. O frio acolhedor da tua presença. O toque flamejante da tua paixão. Às vezes só me quero sentar e olhar por ti. Olhar fundo nos teus olhos e ver lá um pedaço de mim. Perceber a verdade que ninguém quer ver, ignorar o mundo a meu redor, esquecer-me de mim e só te ver a ti.
Venha o Mar venha a Lua venham um número de estrelas sem fim. Venha o tempo e o horror. Venha mais chuva morna para me roubar a vontade.
E tu demónio de olhos doces? Que fazes tu de mim? Roubas me o ar dos pulmões e a terra sob os pés, roubas-me a força e a vontade.
E eu? Eu, eu deixo-me ir nas breves ondas da melancolia para um mar de além.
E o jovem deixou-se voar. Pelas nuvens do descontentamento, pelas chuvas da discórdia, por cima do mar da desilusão. As asas eram suas mas ele não as queria. Queria andar. Andar como os inferiores mortais, andar, como andavam os animais. Queria sentir chão debaixo dos pés. Queria sentir o calor da areia no Verão, sentir o orvalho na relva. Queria "viver". Queria "ser". Não queria voar.
O jovem voltou ao seu lugar, por entre as nuvens dos seus cuidadores. E, sentado no topo do seu descontentamento, o jovem sonhou. Fechou os olhos e descansou. A nuvem reverberou em consonância com o seu amo. E deixou-se graciosamente chover. O jovem escorregava de gota em gota na direcção da Terra e, lentamente, deixava-se carregar. As asas da sua ira desfaziam-se em gotas negras. E as gotas caiam com a chuva.
E o anjo e as gotas chegaram ao chão. O anjo acordou e julgou que era um sonho.
(*Asas Divinas da Tragédia)
[Z~XIII]
O jovem voltou ao seu lugar, por entre as nuvens dos seus cuidadores. E, sentado no topo do seu descontentamento, o jovem sonhou. Fechou os olhos e descansou. A nuvem reverberou em consonância com o seu amo. E deixou-se graciosamente chover. O jovem escorregava de gota em gota na direcção da Terra e, lentamente, deixava-se carregar. As asas da sua ira desfaziam-se em gotas negras. E as gotas caiam com a chuva.
E o anjo e as gotas chegaram ao chão. O anjo acordou e julgou que era um sonho.
(*Asas Divinas da Tragédia)
[Z~XIII]
Porque hoje começa um novo eu...
The Begginning Song - Rita RedShoes
You came to this world
To see what I've done
And it's fine
So come and let's start
I'll give you all my heart
This time...
Don't walk away
'cause baby I will love you more
I have this feeling
You're who I've been looking for
Just close your eyes
And read the signs
It's time to soar
You came to this world
To change what I've done
It's alright
But Now you must stare
You can't pretend you're there
Don't walk away
'cause baby I will love you more
I have this feeling
You're who I've been looking for
Don't turn away
It's your time to stay
There's nothing more... more
lyrics by RITA REDSHOES
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[Z~XIII]
The Begginning Song - Rita RedShoes
You came to this world
To see what I've done
And it's fine
So come and let's start
I'll give you all my heart
This time...
Don't walk away
'cause baby I will love you more
I have this feeling
You're who I've been looking for
Just close your eyes
And read the signs
It's time to soar
You came to this world
To change what I've done
It's alright
But Now you must stare
You can't pretend you're there
Don't walk away
'cause baby I will love you more
I have this feeling
You're who I've been looking for
Don't turn away
It's your time to stay
There's nothing more... more
lyrics by RITA REDSHOES
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[Z~XIII]
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