O Rio

Sentas-te a contemplar o rio. Admiras a maneira como corre, sempre em frente, sempre com um destino em mente. O destino, não o sabe a água que o compõe, mas o corpo de que é parte sabe-o perfeitamente.
É como tu. As tuas emoções não te levam a lado nenhum, mas o corpo que as carrega sabe para onde as leva. De que te serve a angústia se não sabes como a usar? De que te serve o ódio se não o sabes para onde dirigir? O teu corpo serve-se das emoções, usa-as para esculpir um leito até chegares à Foz. Levantas-te contente, percebes que te sentes assim porque tem de ser, porque o teu corpo tem de traçar um caminho para onde quer que seja, ele apenas escolhe a emoção que mais lhe convém.
Traças o teu caminho normal e dás por ti a pensar... Serás tu como o Rio? Será que sem as tuas águas serias alguma coisa? Um rio sem água não é um Rio. Não passa de um caminho escavado na Terra. Serias tu sem as emoções apenas uma vala por percorrer? Será que é mesmo o teu corpo que se serve das emoções para trilhar o caminho ou será que são as emoções que se servem do teu corpo para viver?

Afinal quem vive? O corpo, ou as emoções?

No teu caso não sei. No meu, sou eu que vivo.

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Não perguntem... até eu estou confuso...
[Z]

2 Sentenças Alheias:

Pedro Zambujo disse...

Andamos filosóficos.

Não estou a gozar, não. Afinal, não era a primeira vez.

mel.e.drama disse...

Redondo, cíclico, vicioso, mas com fundo.

E gosto.

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