Güstaf, o tocador de mundos

As cordas do violino ressoavam harmonicamente. O pequeno rapaz fazia força nos braços num esforço vão de tentar parar de tocar o violino. Sabia que não conseguia, pelo menos enquanto a canção não estivesse terminada. Era mais forte que ele, era algo maior que ele. O violino impelia-o a tocar, a criar. A cada acorde uma centelha de vida soltava-se da voluta do violino. Pairava em direcção ao chão, até ao pé das outras centelhas multicoloridas que repousavam no tapete. As notas da partitura mudavam de sítio consoante a música, trocavam de lugar umas com as outras numa dança quase hipnótica. Quando a música acabasse, as pequenas centelhas no chão transformar-se-iam em algo. Gatos, cães, pássaros, sapos... já lhe tinha aparecido de tudo... O pequeno Güstaf tudo fazia para ocultar as criaturinhas dos seus pais. Levava-os para a mata para depois os soltar. Sempre se sentira um bcado mal por o fazer, sentia que parte de si ia com o animal, que parte de si morria com a despedida.

O braço arquejava de dor, o arco bracejava pelo ar. As cordas do violino tocavam até à exaustão. O pequeno Güstaf ofegava de cansaço. Não sabia porque continuava a pegar naquele maldito instrumento, não sabia qual a maldita atracção pelo odioso objecto mas ainda assim tocava todos os dias. Não por obrigação, não por gosto... por... nem ele sabia.

3 Sentenças Alheias:

Salomé Gonçalves disse...

Gostei desta... =)***

Leonor e Rita disse...

Tenho taaantas bocas porcas para mandar. Mas vou conter-me.

Está muito bem escrito.


*Blossom*

Ana Luísa Pereira disse...

É como quando, mesmo faltando inspiração, teimamos em escrevinhar qualquer. Mesmo faltando inspiração, mesmo sem nada de jeito para dizer.

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